Beco das Imagens

Recortes: Krazy+Ignatz+Pupp

Fevereiro 6, 2010 · Deixe um Comentário

HERRIMAN, REI DOS FUNNIES

Entre os finais do século XIX e a primeira metade do XX, o ritual dominical de um leitor americano incluía, com o mesmo grau de importância, a leitura das notícias e a dos funnies, nome dado à secção de banda desenhada, cartoon e ilustração que qualquer jornal de prestígio começava a incluir. George Herriman foi uma das presenças históricas na imprensa dessa época, publicando, entre 1913 e 1944, centenas de histórias de Krazy Kat, um gato com potencial para ser a personagem mais ambígua, e uma das mais geniais, da história da banda desenhada.

O enredo base de quase todas as narrativas de Krazy Kat assenta no triângulo amoroso que une Krazy (o gato cujo género nunca se tornou claro), o rato Ignatz, que odeia Krazy tanto quanto este (ou esta) o venera, e Pupp, o cão polícia que é apaixonado por Krazy e que ocupa o tempo encerrando Ignatz na cadeia em consequência das malfeitorias que este faz contra o gato, nomeadamente o constante arremesso de tijolos em direcção à sua cabeça felina. As infindáveis variações que Herriman alcança a partir desta espécie de cliché atestam o seu virtuosismo narrativo, mas a generalidade da obra não se explica tão somente pelas combinações e variações sobre um mesmo tema, ou pela capacidade de explorar esse tema aparentemente linear introduzindo-lhe uma panóplia de temas da actualidade (da proibição do consumo de alcool às questões políticas que dominavam a América da época) sob a forma de metáforas inocentemente harmoniosas com o enredo habitual. É preciso acrescentar que a herança de Herriman no que diz respeito à exploração das potencialidades da linguagem da banda desenhada é incomensurável, pelo modo como transformou o cenário, a terra de Coconino, num elemento essencial da narrativa (e em fulgurante mutação ao longo de uma mesma história), pela reflexão que desenvolve sobre os limites que o médium da banda desenhada parecia querer manter estanques e sobretudo pela forma, harmoniosa, intrincada e poucas vezes concretizada com tamanha excelência de pôr em funcionamento uma máquina narrativa onde texto e imagem não são dois níveis que avançam em paralelo, mas antes um único modo expressivo, indivisível e absoluto.

Com a edição da Livros Horizonte, que não chegou a concluir o número de volumes previstos, há muito desaparecida do mercado, Krazy Kat volta às livrarias pela mão do editor Manuel Caldas, o principal responsável por várias edições de banda desenhada cujo trabalho de tradução, recuperação e restauro da cor original têm tornado acessíveis séries que muitos leitores nunca conheceram senão de ouvir falar (é o caso do Príncipe Valente, de Harold Foster, cujos volumes têm saído calma e correctamente, revelando uma dedicação editorial da ordem do filológico). A antologia editada com o selo Libri Impresi, Krazy+Ignatz+Pupp, reúne quarenta e duas pranchas publicadas entre 1937 e 1944 nas páginas dos diários de William Randolph Hearts, um dos magnatas da imprensa norte-americana.

O problema maior de qualquer edição de Krazy Kat fora da língua inglesa é a sua tradução, e o trabalho de João Ramalho Santos neste volume, que faz o melhor possível dentro de um quadro onde a impossibilidade é uma forte sombra, confirma as dificuldades. Herriman utiliza a linguagem verbal de um modo magistral, erguendo-a harmoniosamente a par com o desenho e a progressão gráfico-narrativa. Longe dos mecanismos mais frequentes do humor dos funnies (cai um caixote, obviamente sobre uma cabeça incauta, e esse é o momento do riso), o autor recorre a um complexo edifício de figuras de estilo e regras da lógica para desenvolver o humor, aproximando-se mais da literatura que integrava as suas referências preferenciais, do que da linearidade habitual nos gags cómicos. Com a tradução para o português, a ambiguidade quanto ao género desaparece, facto que não é inédito nas traduções de Krazy Kat em várias línguas, mas a perda maior tem a ver com a intransponibilidade dos jogos fonéticos, dos recursos dialectais e dos trocadilhos linguísticos. É ingrato para o trabalho cuidado (e imprescindível) do tradutor, mas a tradução, esta ou qualquer outra, é uma espécie de amputação da riqueza suprema de Krazy Kat, cuja presença se aceita unicamente pela felicidade de ver regressar uma obra-prima aos escaparates das livrarias portuguesas.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado na Ler, nº87, Jan.2010)

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Recortes: Antón Fortes & Joanna Concejo, Fumo, OQO

Fevereiro 1, 2010 · Deixe um Comentário

Não é demais insistir na falaciosidade que se esconde no conceito de ‘livros para crianças’, aglutinando tudo o que tenha texto e imagem como se a curta sapiência dos mais novos não tolerasse mais do que ‘bonecos’ e como se a a cultura dos mais velhos não se dignasse a ler imagens. A mais recente edição da OQO corre o risco de ser ignorada graças a esse preconceito duplo: por um lado, não é um livro imediatamente recomendável para todas as crianças, por outro, a sua construção depende tanto do texto como das imagens, o que afastará boa parte dos adultos. E no entanto, trata-se de um livro merecedor de todos os destaques e de uma leitura sem as baias da ‘idade recomendada’.

Levada para um campo de concentração, a criança que narra Fumo estrutura as suas impressões a partir do universo que lhe é familiar, onde não se vislumbra o edifício do horror com toda a crueza com que se afirmou nos campos de morte nazis. Não se trata, no entanto, de uma narrativa que filtra o caos a partir do engano, convertendo-o numa encenação (ao jeito do filme de Benigni que levou tantos espectadores às lágrimas); o narrador de Fumo não é poupado ao que vê e vive, mas a crueza do que o rodeia é interpretada a partir da infância que ainda não lhe foi totalmente roubada, como se percebe, por exemplo, na imagem em que a mãe, de cabelo rapado, sorri sobre um fundo florido depois de ter avistado o seu marido. A narrativa de Fumo equilibra a extrema fragilidade de um olhar infantil, dividido entre a inocência enternecedora e a cruel percepção da morte, com a brutalidade dos acontecimentos que descreve, e que culminarão à entrada das câmaras de gaz.

A concisão do texto e a sua relação intrínseca com as imagens, belíssimas composições onde predominam os tons sépia e um uso parcimonioso da cor, definem uma narrativa visual/verbal que regista, na primeira pessoa, uma experiência dolorosa, transportando, por sinédoque, a experiência dos milhões de pessoas que passaram pelos mesmos campos, pelas mesmas atrocidades. Nenhuma viveu o mesmo, e todas o viveram, mesmo que só o narrador de Fumo tenha visto dragões onde os outros viram corpos enforcados.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado no Expresso, suplemento Actual, 23 Jan. 10)

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Angoulême 2010

Janeiro 27, 2010 · Deixe um Comentário

A 37ª edição do Festival de Angoulême abre as portas amanhã. Para acompanhar aqui.

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O Combate Ilustrado

Janeiro 25, 2010 · Deixe um Comentário

Foi muitas outras coisas, mas no que à ilustração e à banda desenhada diz respeito, o Combate foi espaço de experimentação e divulgação para muitos ilustradores da nossa praça. Amanhã, lança-se o livro O Combate Ilustrado, que reúne uma selecção de ilustrações e bandas desenhadas publicadas no jornal Combate ao longo de vinte e dois anos anos. O encontro é na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio (Rua da Achada, 11, perto da R. Madalena/Lg. Caldas). O livro já anda por algumas livrarias.

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BD nas Bibliotecas de Lisboa

Janeiro 23, 2010 · 2 Comentários

Os dados são revelados pelo Bibliotecário Anarquista: os empréstimos de livros de banda desenhada pela rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa cresceu de modo significativo. Diz o nosso bibliotecário:

5624 (cinco mil seiscentos e vinte e quatro) foi o número de bandas desenhadas, comics e mangás emprestadas pela Rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa em 2009. A unidade que mais contribuiu foi a Bedeteca com 3146 exemplares emprestados, seguida da Biblioteca Municipal Central com 752 exemplares e da Orlando Ribeiro com 695. A “morder os calcanhares” surgem a Biblioteca Camões e a gloriosa biblioteca da Penha de França com 317 e 198 exemplares respectivamente. As últimas bibliotecas do ranking não revelo porque senão dão cabo de mim. Entretanto podemos observar a evolução do empréstimo de BD, nos últimos quatro anos, através da simples observação do gráfico aqui em cima.

E para quem possa ainda não saber, o cartão de leitors das BLX é totalmente gratuito.

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Visita do Dia

Janeiro 21, 2010 · Deixe um Comentário

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Pedro Brito e João Fazenda

Janeiro 14, 2010 · Deixe um Comentário

A GALERIA MUNDO FANTASMA, a GESTO COOPERATIVA CULTURAL e a CASA DA ANIMAÇÃO organizam um conjunto de iniciativas à volta da Banda Desenhada, do Cinema de Animação e da Ilustração, com os autores João Fazenda e Pedro Brito.

Na GALERIA MUNDO FANTASMA poderemos ver pranchas de bd destes dois autores oriundas das obras Pano Cru (Brito) e Loverboy (Fazenda), mas também Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos (de ambos). A inauguração será no próximo dia 30 de Janeiro pelas 17h00, com a presença dos autores.

Na mesma noite, pelas 22h00, na CASA DA ANIMAÇÃO serão exibidos alguns filmes de animação dos mesmos autores: entre outras, A Estrela de Gaspar e Sem dúvida, amanhã (de Brito) ou Algo Importante (de Fazenda e João Paulo Cotrim). Segue-se uma conversa com os autores.

E imediatamente a seguir (pelas 23h30) a GESTO COOPERATIVA CULTURAL inaugura uma exposição do premiado ilustrador João Fazenda (Ler, Público).

A iniciativa conjunta das três entidades permite conhecer diferentes facetas de dois jovens autores nacionais, e lança luz sobre pontos de contacto entre as suas diferentes facetas artísticas.

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Leituras

Janeiro 11, 2010 · Deixe um Comentário

Joe Sacco, Footnotes in Gaza, Metropolitan Books (2009)

(SFC)

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Recortes: David Soares, Osvaldo Medina, Mário Freitas, Mucha, Kingpin Books

Janeiro 7, 2010 · Deixe um Comentário

A METAMORFOSE DO MAL

Num panorama tão pouco variado como é o do mercado português de banda desenhada, a Kingpin Books começa a afirmar-se como porto seguro para a publicação de autores cujo trabalho, apesar de profissional e de qualidade, não tem interessado as grandes casas editoriais. Depois de A Fórmula da Felicidade, de Nuno Duarte e Osvaldo Medina, a editora publica agora Mucha, o muito aguardado regresso de David Soares à escrita para banda desenhada, acompanhado pelo desenho de Osvaldo Medina e pela arte-final de Mário Freitas.

Em diálogo assumido com Rhinocerós, de Èugene Ionesco, Mucha narra o momento em que Rusalka, uma camponesa polaca, se apercebe da transformação paulatina dos seus conterrâneos em moscas e o modo como essa transformação se espalha e normaliza. Desesperada pela grotesca metamorfose que contamina a aldeia, grávida e sem qualquer vislumbre de uma saída para a situação, a deambulação desordenada de Rusalka ganhará contornos de prisão a céu aberto. Hábil na criação de uma escalada de sufoco, o imaginário de David Soares encontra no traço expressionista de Medina e nas finalizações de Freitas um preto-e-branco perfeitamente harmonioso com a narrativa e fortemente marcado pela influência das clássicas bandas desenhadas de horror, que dispensavam a boa qualidade do papel e da impressão (ao contrário de Mucha) e ainda assim produziam efeitos potencialmente perturbadores, graças aos enquadramentos, ao domínio do chiaroscuro e ao efeito surpresa.

Se a metáfora do totalitarismo e dos seus modos insidiosos de se espalhar como se de uma benesse se tratasse é clara desde o início, tanto pelo comportamento das personagens como pela referência a Rhinocerós, o encontro de Rusalka com o exército nazi não deixa margem para dúvidas. Nessa sequência final e perigosamente catártica, a utilização do alemão nas falas não é um simples artifício, mas antes a confirmação de que para percepcionarmos o horror, e sobretudo para o sentirmos, não é imprescindível compreender as palavras que o integram. O artifício encontra-se no forçar de um ponto de vista para o leitor, agora mero espectador (Rusalka, supõe-se, entenderia as palavras dos alemães), e nem por isso menos responsável – mesmo sem o dom das línguas, permanece a dúvida quanto à ameaça que a epígrafe de Sófocles, na Antígona, lança na página que antecede a narrativa: “Estas coisas são de um futuro próximo”. Mais do que o zumbido contínuo e incomodativo das moscas, são estas palavras que ecoam em cada prancha de Mucha.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado na revista Ler, nº86, Dez.09)

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Dar a ler

Janeiro 7, 2010 · 2 Comentários

Ontem estive em Ílhavo, inaugurando a comunidade de leitores de banda desenhada. Duas confirmações: o preconceito sobre a bd (que é para miúdos, que é pobrezinha, que é básica e serve para facilitar discursos, que é aventura e sonho) existe; quando conseguimos que deixe de existir, mostrando outros livros e comprovando a diversidade de estilos, géneros, temáticas e abordagens, o interesse surge. Uma conclusão: é preciso tirar a bd do gueto da bedefilia e colocá-la no mesmo patamar de leitura e fruição que qualquer outra linguagem.

(SFC)

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Visita do Dia

Janeiro 6, 2010 · 1 Comentário

O blog do ilustrador Matte Stephens.

(SM)

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O último fósforo

Janeiro 4, 2010 · 4 Comentários

A chegada da exposição The Last Match, que conta com trabalhos de duzentos autores de banda desenhada (e que pode ser embalada em sete caixas de fósforo, não havendo motivos logísticos que impeçam a sua circulação), a Lisboa está marcada para o dia 16 de Janeiro, na galeria Artside (em Santos).

No dia da inauguração, a CCC lançará a antologia Massive, anunciada para a última Feira Laica e entretanto adiada. O ano começa bem, portanto.

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O Advento

Dezembro 24, 2009 · 1 Comentário

Para todos os leitores do Beco das Imagens, os nossos votos de um feliz Natal, ou de uma feliz comemoração do solstício (fica ao vosso critério).

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Tommi Musturi, Caminhando com Samuel, Mmmnnnrrrg

Dezembro 17, 2009 · Deixe um Comentário

Apesar da boa recepção do último Salão Lisboa, em 2005, que teve a Finlândia como país convidado, poucos foram os nomes do programa que transitaram da exposição para a edição, e esses poucos chegaram unicamente às páginas de curta tiragem de revistas e fanzines. Quatro anos depois, cabe à Mmmnnnrrrg a publicação de uma obra de Tommi Musturi, um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea, convidado do Salão Lisboa e um dos participantes da recente exposição Glompx, que passou pela Bedeteca de Lisboa.

Caminhando Com Samuel estrutura-se como a narrativa de um milagre, mas um milagre onde a hipotética intervenção divina perde importância perante a incomensurável experiência do indivíduo. Onde o Génesis descreve os seis dias atarefados de Deus criando o mundo, Musturi prefere a explosão de um big-bang, e em vez de seres a caminho da condição humana através da aquisição da consciência, Samuel surge descontraidamente por entre as árvores, com um cigarro na boca e sem vestígios de culpa ou frutos proibidos. As diferenças assumem o ponto de vista individualista de Samuel, sem no entanto apagarem as reminiscências genesíacas, confirmando este livro como uma visão da criação do mundo, um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação.

Sem texto ou qualquer elemento verbal, o trabalho narrativo de Musturi assenta na utilização da cor, diferenciando e fazendo progredir espaços e emoções, e na linguagem corporal da personagem de Samuel, singela na sua estrutura, mas capaz de uma expressão sem limites, sobretudo na interacção com a composição das pranchas, estruturadas com base em linhas que, apesar da sua fluidez, deixam perceber as relações matemáticas que lhes servem de base. O modo de Samuel olhar o mundo sem o peso da História prevê o acaso como uma possibilidade, tão colocada em dúvida pela meticulosa geometria dos elementos como confirmada pela sua própria errância sem sentido. Aqui, não há respostas, só deslumbramentos.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado no Expresso, suplemento Actual, 12 Nov. 09)

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Feira Laica

Dezembro 16, 2009 · Deixe um Comentário

No próximo fim de semana, a Feira Laica aterra na Fábrica do Braço de Prata.

Sáb. (19) das 18h às 24h – Dom. (20) das 15h às 21h

Editoras já confirmadas:
Arga Waga, Averno, Associação Chili Com Carne, Blam Blam, Drome: Videozine, El Pep, discos F. Leote com Skinpin, FlorCaveira, Hülülülü, Imprensa Canalha, lvcenti 14-bis, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, Mula Alada com a Cooperativa Artística Obtusa, Oficina do Cego, Opuntia Books, Os Gajos da Mula,
revista Samba (do Brasil, com a presença de Gabriel Mesquita), Thisco e zine Znok. Editoras a confirmar: Bedeteca de Lisboa, Chaosphere com Raging Planet e Planeta Tangerina.

Novidades editoriais:
Antibothis, vol. 3 (Chili Com Carne + Thisco), Satanic Hollidays, de José Cardoso (Imprensa Canalha);
v/a, Sacudiram-nos Bem Forte Lá No Campo De Batalha (Ateliers de Santa Justa/ Mike Goes West); v/a, Seitan Seitan Scum (Chili Com Carne + El Pep) e Znok #4, Filipe Duarte; v/a, Canções Usadas (edição Oficina do Cego).

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Posta Restante

Dezembro 11, 2009 · 2 Comentários

Amanhã, pelas 16h, a Casa-Museu Manuel Teixeira Gomes (em Portimão) inaugura a exposição Posta Restante – As viagens do Escritor Presidente. À mesma hora, serão lançados dois álbuns de banda desenhada sobre Portimão: A Noiva Que o Rio Disputa no Mar, de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha, e Portimão : Como Se Faz uma Cidade, com participações de Alex Gozblau, Daniel Lima, Filipe Abranches, Jorge Mateus, Pedro Brito, Ricardo Cabral, Susa Monteiro e Zé Manel.

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Falsos Amigos

Dezembro 11, 2009 · Deixe um Comentário

A partir das armadilhas linguísticas dos ‘falsos amigos’, Richard Câmara fez esta serigrafia, no atelier de Pepe Herrera. Só há 25 edições e quem quiser, pode comprar uma (mais informações no blog do autor).

(SFC)

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Visita do Dia

Dezembro 10, 2009 · Deixe um Comentário

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Sacudiram-Nos Bem Forte Lá No Campo De Batalha

Dezembro 9, 2009 · Deixe um Comentário

A exposição colectiva de desenho e o projecto de edição Sacudiram-nos Bem Forte Lá no Campo de Batalha abrem hoje as portas, na Fábrica do Braço de Prata. Mais informações aqui.

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Recortes: Ricardo Cabral, Israel Sketchbook, Ed. Asa

Dezembro 5, 2009 · Deixe um Comentário

VIAGEM EM CONSTRUÇÃO

Depois de Everest, a banda desenhada que narrava a expedição do alpinista João Garcia ao topo dos Himalaias, Ricardo Cabral assina agora um livro de viagens onde as imagens, na sua aparência de simples registos de passagem, se revelam matéria primordial para uma narrativa.

O título aponta uma direcção que não deve ser assumida na sua acepção mais imediata. Um sketchbook costuma reunir desenhos não necessariamente terminados, esboços que resultam da observação de algo (por vezes associado a uma viagem) e que tendem a permanecer como apontamentos, sem que a publicação (também no sentido de ‘tornar público’) seja o seu objectivo primeiro. Mas se Israel Sketchbook começou por ser uma série de desenhos feitos in loco por Ricardo Cabral, a sua passagem a livro fez-se acompanhar da construção de uma história, transformando o gesto inicial de registar imagens e ambientes numa narrativa, perfeitamente enquadrável no território da banda desenhada, não apenas porque os seus desenhos compõem uma sequência, mas igualmente porque essa sequência se estrutura a partir da relação intrínseca entre texto e imagem.

Partindo de Telavive, o narrador vai registando os cenários onde passa algum tempo, as pessoas que com ele se cruzam e os episódios em que se vê envolvido: praças, sinagogas, casas de amigos ou restaurantes de fast-food, mas também cenários mais intimidatórios, como a Faixa de Gaza ou os postos de controlo. Sem roteiro prévio, visita outras cidades, sozinho ou acompanhado por M., a rapariga que entretanto conhece em Safed, e as impressões da viagem vão construindo um percurso à medida que este se desenvolve, uma simultaneidade que faz da própria narrativa um itinerário, com as etapas definidas por separadores que começam como um esboço e terminam coloridos e com todos os pormenores assinalados, inclusive os cartográficos, que se vão revelando à medida que a viagem avança.

Os desenhos, traçados a preto e branco durante a viagem e posteriormente coloridos, por vezes com recurso a fotografias (informação dada na introdução), ocupam sempre duas páginas, configurando pranchas sumptuosas, onde a riqueza do pormenor, a definição das tonalidades dentro de um espectro reduzido de cores e os jogos de luz confirmam aquilo que Everest já tinha esboçado, mas agora de um modo mais livre relativamente ao processo de construção narrativa. Longe de condicionalismos de forma ou de estruturação, Israel Sketchbook contém todas as qualidades que fazem de uma viagem um livro memorável.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado na revista Ler, nº85, Nov. 09)

Nota: na Ler deste mês escrevo sobre Mucha, de David Soares, Osvaldo Medina e Mário Freitas (Kingpin Books)

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