Monthly Archives: Novembro 2011

A título de Saramago


 © Richard Câmara

Inaugura amanhã, na Universidade Autonoma de Madrid, uma exposição de Richard Câmara a partir do universo bibliográfico de José Saramago. A exposição é parte de um projecto em curso, que levará o autor a criar  30 peças tridimensionais, cruzando a linguagem da escultura com a do livro de artista, a partir dos títulos da obra de Saramago e da interpretação do seu conteúdo. Nesta exposição, A título de Saramago, o que podemos ver são os desenhos originais dos cadernos de esboços onde as peças já estão a ganhar forma. Ao longo do próximo ano, teremos oportunidade de ver os objectos-livro que daqui resultarão. Até 15 de Dezembro, em Madrid.

Cor digital na ilustração

Até 15 de Dezembro estão abertas as inscrições para o workshop Uso e aplicação digital da cor na ilustração, orientado por Richard Câmara e a decorrer entre os dias 17 e 23 de Dezembro na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Inscrições e informações aqui.

O Mundo no Chão

O Mundo no Chão, de Nuno Casimiro e João Vaz de Carvalho (Bags of Books), é lançado amanhã na livraria Pó dos Livros, em Lisboa. Andreia Brites fará a apresentação, com a presença dos autores do livro. O encontro é às 11h00.

Sérgio Godinho ilustrado

Assinalando os 40 anos de carreira de Sérgio Godinho, chegou recentemente às livrarias um volume onde se combinam letras de canções e ilustrações de quarenta ilustradores portugueses. O livro marca a estreia da editora Abysmo e é o resultado da colaboração entre Sérgio Godinho, que escolheu as letras, e João Paulo Cotrim, o editor, que escolheu os ilustradores.

Recortes: É de Noite Que Faço as Perguntas


David Soares, Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre da Silva e Richard Câmara
É de Noite Que Faço as Perguntas
Saída de Emergência

Os livros por encomenda são sempre uma faca de dois gumes no panorama da edição de banda desenhada em Portugal. Se, por um lado, permitem que os autores publiquem num mercado onde é difícil fazê-lo, por outro tendem a produzir resultados desastrosos, em muitos casos devido às exigências do briefing, com as suas listas de datas e referências. Se as editoras portuguesas já pouco arriscam em abordagens fora do esperado, imagine-se as instituições ou empresas que encomendam livros de banda desenhada, tantas vezes por acreditarem que assim é mais fácil passarem determinada mensagem.

No âmbito dos cem anos da República, a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário e o Festival de BD da Amadora convidaram David Soares para fazer um livro sobre a efeméride. O autor assumiu a responsabilidade do argumento e convidou cinco ilustradores portugueses para trabalharem consigo. Duplo risco: livro encomendado e multiplicidade de registos gráficos. Risco ultrapassado, em boa parte graças ao domínio de Soares relativamente à narrativa de contornos históricos, mas igualmente devido ao equilíbrio conseguido entre o registo gráfico de cada ilustrador e a sua posição na sequência dos capítulos. É de Noite Que Faço as Perguntas atravessa o período entre o Ultimato Inglês (1891) e o golpe de estado que, em 1926, abriu as portas à ditadura. A preocupação no rigor histórico é evidente, mas é o registo ficcional que domina, através de um narrador que escreve ao seu filho e que, mais do que relatar os factos, se questiona sobre os malabarismos do poder, o preço da liberdade e o papel reservado à intervenção cidadã. Sem ceder ao didatismo, verbal ou imagético, É de Noite Que Faço as Perguntas faz da História um objecto de reflexão tão útil para o passado como para o futuro, gesto sempre mais produtivo do que qualquer elenco cronológico.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Ler, nº106, out. 2011)

Ilustrarte 2012

As ilustrações seleccionadas para a próxima edição da Bienal de Ilustração Para a Infância foram hoje apresentadas à imprensa no Museu da Electricidade, que volta a acolher o evento em Janeiro de 2012. Valerio Vidali é o vencedor desta edição do prémio Ilustrarte, com um conjunto de três ilustrações oriundas do livro Um Dia, Um Guarda-chuva (com texto de Davide Cali), publicado em Portugal pela Planeta Tangerina. Duas Menções Especiais distinguiram a italiana Simone Rea, com trabalhos retirados do livro Favole (Topipittori), a partir das Fábulas de Esopo, e as autoras suíças Nina Wehrle e Evelyne Laube, com ilustrações de um livro intitulado Die Grosse Flute (A Grande Cheia) e inspirado na narrativa bílbica da Arca de Noé.


(Um Dia, Um Guarda-chuva, Valerio Vidali)

Na sua 5ª edição, o prémio Ilustrarte contou com a participação de perto de 1600 autores, de entre os quais foram seleccionados os 5o que participarão na exposição final. O júri desta edição foi composto por João Paulo Cotrim (Portugal), jornalista e escritor, Isidro Ferrer (Espanha), ilustrador, Martin Jarrie (França), ilustrador, Paolo Canton (Itália), editor da Topipittori, que se afastou das decisões finais quando ficou claro que um dos livros por si editados poderia ser seleccionado, como de facto aconteceu com Favole, e Isabelle Vandenabeele (Bélgica), ilustradora, vencedora da edição de 2010.