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Visita do Dia

O blog do ilustrador João Fazenda.

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Pedro Brito e João Fazenda

A GALERIA MUNDO FANTASMA, a GESTO COOPERATIVA CULTURAL e a CASA DA ANIMAÇÃO organizam um conjunto de iniciativas à volta da Banda Desenhada, do Cinema de Animação e da Ilustração, com os autores João Fazenda e Pedro Brito.

Na GALERIA MUNDO FANTASMA poderemos ver pranchas de bd destes dois autores oriundas das obras Pano Cru (Brito) e Loverboy (Fazenda), mas também Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos (de ambos). A inauguração será no próximo dia 30 de Janeiro pelas 17h00, com a presença dos autores.

Na mesma noite, pelas 22h00, na CASA DA ANIMAÇÃO serão exibidos alguns filmes de animação dos mesmos autores: entre outras, A Estrela de Gaspar e Sem dúvida, amanhã (de Brito) ou Algo Importante (de Fazenda e João Paulo Cotrim). Segue-se uma conversa com os autores.

E imediatamente a seguir (pelas 23h30) a GESTO COOPERATIVA CULTURAL inaugura uma exposição do premiado ilustrador João Fazenda (Ler, Público).

A iniciativa conjunta das três entidades permite conhecer diferentes facetas de dois jovens autores nacionais, e lança luz sobre pontos de contacto entre as suas diferentes facetas artísticas.

Ao Norte: Vidas de Cinema

percutor angulo

Cinema e banda desenhada são frequentemente confundidos, aplicando-se à segunda termos e modos de leitura que dizem respeito ao primeiro. A confusão deve-se mais ao pouco rigor na utilização de instrumentos de análise da banda desenhada do que a um real paralelismo desta com o cinema, mas a partilha de planos de focalização e, muito mais importante, a relação entre texto e imagem em cada momento de visionamento/leitura tornam pertinente um olhar que relacione ambas as linguagens, sem que com isso se crie qualquer arrumação subsidiária entre elas. A Associação Ao Norte, que se dedica à animação cinematográfica e à manutenção de um cineclube em Viana do Castelo, criou, assim, uma colecção em formato de bolso intitulada ‘O Filme da Minha Vida’ onde cada volume convida um autor de banda desenhada ou um ilustrador a criar uma narrativa ou conjunto de imagens a partir de um filme por si escolhido. À edição de cada livro, sempre acompanhado por um texto introdutório (até agora, todos assinados por João Paulo Cotrim), segue-se uma exposição dos originais e a exibição do filme escolhido, com a presença do autor que o trabalhou em livro. O público destes encontros tem sido maioritariamente composto por alunos de escolas da região, no âmbito de disciplinas relacionadas com as artes, o audiovisual e a língua portuguesa, mas as sessões são abertas ao público em geral, que não tem deixado de comparecer.

Dirigida pelo artista plástico Tiago Manuel, a colecção parte de uma atitude de pesquisa, muito mais do que da simples curiosidade de ‘casar’ cinema e banda desenhada esperando que o resultado tenha interesse transversal. Essa atitude, visível nos textos introdutórios de Cotrim, extravasa a mera contextualização, contaminando os modos de trabalhar de cada artista convidado. Posta de parte a atitude fácil (e nada original) de recontar em vinhetas o que o filme contou no ecrã, os quatro autores já publicados encetaram caminhos diversos nas suas abordagens ao cinema. André Lemos, que inaugurou a colecção com O Percutor Harmónico, partiu de Aconteceu no Oeste, de Sergio Leone, seleccionando uma das cenas mais marcantes do filme (aquela em que Charles Bronson, acabado de sair do comboio, enfrenta três homens da pequena cidade, seguindo-se a interpretação, na harmónica, da conhecida melodia de Morricone) para a fragmentar em imagens de enorme força, que tiram partido da tintagem a negro que caracteriza o trabalho do autor. Daniel Lima, que escolheu O Deserto dos Tártaros, de Valerio Zurlini, para criar Epifanias do Inimigo Invisível, analisa momentos do filme através de uma pesquisa em torno dos efeitos do reflexo e da transparência, transpondo para o papel uma leitura que coloca questões sobre o modo de ver as imagens, em movimento ou plasmadas pela impressão. Jorge Nesbitt assina Sétimo Selo, a partir do filme homónimo de Ingmar Bergman, e plasma o momento do jogo com a Morte num diálogo intenso onde os silêncios ganham o peso das certezas inefáveis. E no mais recente número lançado, Ângulo Morto, João Fazenda desdobra Vertigo, de Hitchcock, em duas linhas narrativas que confluem para a resolução do enredo, trabalhando a oposição entre paisagem interior e exterior de um modo autónomo relativamente ao filme, mas nunca se perdendo do seu ponto de partida.

Os próximos títulos serão assinados por Filipe Abranches, Joana Figueiredo, Cristina Sampaio e Alice Geirinhas, confirmando a colecção da Ao Norte como um dos projectos mais interessantes e abrangentes da banda desenhada portuguesa contemporânea.

Sara Figueiredo Costa
(versão ligeiramente aumentada de um texto publicado na Ler, nº83, Set.09)

Combo

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Combo João Fazenda reúne trabalhos de ilustração de João Fazenda, com textos de João Paulo Cotrim. Nas livrarias, com edição da Assírio & Alvim.