Monthly Archives: Abril 2010

Desenha-me um Quiosque

Na tarde de sábado convocamos quem gosta de desenhar ao Camões. Lançamos a primeira edição de um concurso que será anual, “Desenha-me um Quiosque”. Basta desenhar um dos 3 Quiosques de Refresco em Lisboa e enviar para geral@quiosquederefresco.pt até 31 de Maio. A melhor criação de cada quiosque será editada em postal e… o seu autor recebe €1.000 e material Artgraf da Viarco. E às 16h00 temos encontro marcado com os Urban Sketchers, gente que gosta de desenhar os lugares por onde passa e que já nos enviou estas belas criações…

http://urbansketchers-portugal.blogspot.com/

Mais informações em http://quiosquederefresco.blogspot.com/

(SM)

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Recortes: Joe Sacco, Footnotes in Gaza, Metropolitan

Várias reportagens depois, entre a Palestina, as Balcãs e o Iraque, não restam dúvidas sobre o facto de Sacco ser um jornalista, com a única peculiaridade de o seu modo de expressão ser a banda desenhada, e não a reportagem escrita, a peça televisiva ou a rádio. Essa peculiaridade permite-lhe utilizar recursos pouco habituais nas reportagens, começando pelo ‘tempo’ para prolongar a narrativa (permitido pelo suporte livro e sem a pressão dos deadlines jornalísticos) e pelo domínio da conjugação texto/imagem e das possibilidades da narrativa gráfica. Mas a estranheza ainda se insinua perante o resultado. No início de Footnotes in Gaza, há um episódio que ilustra a indecisão do olhar sobre o trabalho do autor: Sacco está numa festa com vários jornalistas do mundo inteiro e explica a alguns camaradas a dificuldade de obter um visto de imprensa. As autoridades têm a mesma dificuldade em perceber que o seu trabalho é jornalístico e que um visto lhe é tão imprescindível como a qualquer dos seus camaradas.

Apesar do presente, rico em histórias, ângulos e contextos (quase sempre pelos piores motivos), a nova incursão de Sacco por terras de Gaza, depois dos dois volumes de Palestina, move-se pelo interesse em dois momentos passados. As footnotes do título são os massacres de Khan Younis e Rafah, em 1956, episódios quase desaparecidos dos registos históricos, que Sacco investigou nos arquivos disponíveis e que quis tornar claros, legíveis à luz da memória, através de contactos com pessoas que os viveram. Nessa procura de fontes, nem sempre compreendida pelos interlocutores, mais preocupados com o presente do que com a revisitação do passado, o jornalista regista uma fabulosa galeria de personagens, criando espaço para cada uma das suas narrativas e procurando guiá-las até à memória dos massacres de 56. Inevitavelmente, o presente não se afasta: a destruição de casas na Faixa de Gaza, o debate entre bombistas suicidas e activistas da causa palestiniana que preferem não dar pontos ao exército israelita, a ginástica necessária para atravessar os postos de controle ou os tiroteios nocturnos atravessam os dias de Sacco na busca de matéria para o seu trabalho.

Para além de uma detalhada reportagem, cruzando as linhas de um passado que encontra demasiados ecos no quotidiano presente, Footnotes in Gaza configura uma profunda reflexão sobre o modo como a memória se imiscui ou se ausenta das narrativas individuais e colectivas. Umas vezes, esquecer é a única forma tolerável de enfrentar o presente. Outras, recordar é o primeiro passo para uma armadilha indefectível. Em Gaza, convivem as duas atitudes, sem fim à vista.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado no Actual, do Expresso, Abr.2010)

Pequeno É Bom

Hoje, na Casa da Achada. Uma iniciativa da Chili Com Carne.

Novidades Orfeu Negro

Mariana Chiesa Mateos, Migrando, Orfeu Negro
Nas livrarias a partir de 12 de Abril.

Dia Internacional do Livro Infantil


Imagem gráfica da ilustradora Madalena Matoso, vencedora da última edição do Prémio Nacional de Ilustração.

(SM)