Monthly Archives: Maio 2013

IX Festival Internacional de BD de Beja

FIBDB2013

O IX Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja abre as portas amanhã. Programa completo e todas as informações aqui.

Workshop “Marcha, Lisboa, Popular”

Mais um workshop com Richard Câmara. Inscrições até 5 de Junho:
Este workshop é uma formação intensiva na área dos Diários Gráficos (desenho em caderno) que decorrerá em duas sessões consecutivas. Na primeira sessão assistiremos às Marchas Populares de Lisboa de 2013 que decorrem no Pavilhão Atlântico na sexta-feira 7 de Junho das 21h00 às 24h (com entradas gentilmente cedidas pela EGEAC). Nessa noite desenharemos durante as apresentações da Marcha Infantil “A Voz do Operário” e das Marchas de Belém, dos Olivais, de Benfica, do Beato, do Castelo e de Marvila. Na segunda sessão marcada para o dia seguinte, sábado 8 de Junho das 14h00 às 20h, iremos percorrer Alfama com vista a vivermos e desenharmos o ambiente das Festas Populares da Cidade que já se fará sentir neste bairro histórico de Lisboa.
Infirmações através do mail gda@montepio.pt

Às Quintas Falamos de BD

cnbdiMaio

O Centro Nacional de BD e Imagem, na Amadora, convida:

 É já amanhã, dia 30 de Maio, pelas 21h00, o encontro Ler BD é Saber Mais no âmbito da iniciativa Às Quintas Falamos de BD.

 O estudioso de BD, João Paiva Boléo dá a palavra a Amadeu José Ferreira, Guilherme d’Oliveira Martins e Ruben de Carvalho, figuras relevantes da nossa sociedade que são leitoras e apreciadoras de histórias aos quadradinhos e, sem qualquer inibição, partilham esse gosto, publicamente, para nos falarem do papel que esta expressão literária e artística teve na sua formação cultural.

Prémios Profissionais de BD

flyer_web

Amanhã, pelas 17h30, na Torre do Tombo, decorre a cerimónia de entrega dos Prémios Profissionais de BD.

Ilustra 33

ilustra33

Inaugura amanhã, na antiga estação dos CTT do Mercado da Ribeira, no âmbito da Semana da Criatividade de Lisboa. São 33 ilustradores escolhidos por Jorge Silva para ver até ao próximo dia 26.

2 Livros, 27 Histórias

MArtaNeto
Exposição de ilustração de Marta NEto. Inaugura no dia 1 de junho, às 16 horas, na livraria Ler Devagar (Lx Factory).

Prémios Profissionais de BD

Uma das novidades do AniComics foi o lançamento da primeira edição dos Prémios Profissionais de BD, que a organização apresenta do seguinte modo:

Imaginados e organizados por figuras ligadas à Banda Desenhada e ao jornalismo – André Oliveira (Zona), Inês Fonseca Santos (Câmara Clara), Maria José Pereira (Asa), Mário Freitas (Kingpin Books) e Nuno Amado (Leituras de BD) -, os novos PRÉMIOS PROFISSIONAIS DE BD são uma iniciativa que se pretende abrangente e dinamizadora e que não se esgote nos próprios Prémios, antes sendo uma montra e um motor permanente do que de melhor se faz da BD em Portugal.

Os PRÉMIOS PROFISSIONAIS DE BD distinguem-se por serem organizados por profissionais maioritariamente ligados à Banda Desenhada e envolvem o convite anual a um Grande Júri composto por 25 personalidades igualmente ligadas à BD, entre autores, jornalistas, divulgadores e investigadores.

Os nomeados escolhidos pelo júri foram os seguintes (no dia 24 deste mês serão anunciados os vencedores):

Álbum do Ano
O Baile, de Nuno Duarte e Joana Afonso (Kingpin Books);
Diário Rasgado, de Marco Mendes (Mundo Fantasma);
Hän Solo, de Rui Lacas (Polvo);
Sangue Violeta e Outros Contos, de Fernando Relvas (El Pep).

Argumentista do Ano
Nuno Duarte (O Baile);
Marco Mendes (Diário Rasgado);
Rui Lacas (Hän Solo &Asteroid Fighters 2  Os Oráculos);
Miguel Peres (Cinzas da Revolta).

Desenhador do Ano
Joana Afonso (O Baile);
Marco Mendes (Diário Rasgado);
Rui Lacas (Hän Solo & Asteroid Fighters 2 — Os Oráculos);
Afonso Ferreira (Love Hole).

Colorista do Ano
Joana Afonso (O Baile);
Rui Lacas (Hän Solo e Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos);
Artur Correia (O País dos Cágados);
João Amaral (Cinzas da Revolta).

Legendador do Ano
Mário Freitas (O Baile);
Marco Mendes (Diário Rasgado);
Rui Lacas (Asteroid Fighters 2 — Os Oráculos);
Rui Lacas e Hugo Jesus (Hän Solo).

Designer de Publicação do Ano
Mário Freitas (O Baile);
Marco Mendes (Diário Rasgado);
Rui Lacas (Hän Solo);
Joana Pires (Mesinha de Cabeceira #23).

Antologia do Ano
Zona Desenha (Associação Tentáculo);
Graphite #O (GBS Edições);
Mesinha de Cabeceira #23 (Chili com Carne);
Zona Nippon 1 (Associação Tentáculo).

Webcomic do Ano
Margem Sul (Pedro Brito);
The Mighty Enlil (Pedro Cruz);
Os Positivos (Os Positivos);
Story of Godz (Pedro Fernandes, Gevan e Luís Valente — Yucca Studios).

Anicomics 2013

Anicomics2013

Fim de semana de Anicomics em Lisboa, na Biblioteca municipal Orlando Ribeiro. Programa aqui.

Recortes: Mesinha de Cabeceira #23

MdC23
VVAA
Inverno
Chili Com Carne

Experiências e Abanões

O volume em formato de bolso, com a lombada a deixar as entranhas da encadernação à mostra, não parece enquadrar-se no universo fanzinesco, mas este Inverno é mesmo o número 23 do Mesinha de Cabeceira (MdC), fanzine já mítico editado pela Chili Com Carne que cumpriu recentemente duas décadas de vida.

Na introdução, o editor Marcos Farrajota fala dos vinte anos da publicação com o à vontade vernacular que o caracteriza e explica que o primeiro MdC nasceu da necessidade: não havendo publicações dispostas a acolher a sua produção, a de Pedro Brito (o outro editor do fanzine, nos primeiros anos) e a de vários autores que começavam a experimentar os terrenos da banda desenhada, criaram uma que o fizesse e ainda experimentaram a satisfação da vingança. O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável.

A lista de autores inclui vários suspeitos do costume, presenças habituais neste universo editorial que aqui confirmam a evolução natural que duas décadas de persistência e talento permitem (casos de João Fazenda, João Chambel, Filipe Abranches ou Bruno Borges), e algumas colaborações novas, como Sílvia Rodrigues, Uganda Lebre ou Lucas Almeida, entre muitos outros. Desta colecção de nomes e trabalhos resulta um gesto que mantém em forma elevada aquilo que a Chili sempre conseguiu produzir nas suas antologias de maior dimensão: uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, o que dá ao volume uma coerência que não pode ter sido planeada mas que é o melhor exemplo dos motivos que mantêm estas pessoas a trabalhar juntas há tanto tempo. E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na revista Ler, Março 2013)