Monthly Archives: Outubro 2009

FIBDA 2009: Planeta Tangerina

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É uma das exposições mais bem apresentadas do FIBDA. A Planeta Tangerina, que venceu o Prémio de Melhor Ilustração para Livro Infantil na edição do ano passado, está agora no piso -1 do festival, mostrando uma retrospectiva do seu trabalho. E há espaço para os visitantes, mais novos ou nem por isso, se sentarem a ler.

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(SM)

Diários Gráficos em Lagos

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Inaugura amanhã, no Centro Cultural de Lagos, uma exposição de diários gráficos com cadernos de trinta e três autores, entre diários de desenhadores contemporâneos (Eduardo Salavisa, Enrique Flores, Richard Câmara, Isabel Fiadeiro, João Catarino e outros), diários de viajantes, investigadores e desenhadores científicos (Manuel João Ramos, Pedro Salgado ou Pedro Fernandes, por exemplo) e cadernos de trabalho e livros de artista (António Jorge Gonçalves, Cruzeiro Seixas, Pedro Proença, Rita Cortez Pinto, Zepe ou Ivo Moreira). A exposição é comissariada por Eduardo Salavisa, Carlos Mendes e Ana Vasconcelos e aqui podem folhear, literalmente, o catálogo da exposição.

(SFC)

Ilustrarte

O Beco acaba de receber uma boa notícia:

Como de costume, o prazo de recepção das candidaturas para a ILUSTRARTE
2009 foi alargado. Serão aceites todas as ilustrações recebidas até 30 de
Novembro.

Mais informações:
www.ilustrarte.net
(+351) 92 778 1536

(SM)

FIBDA 2009: Ricardo Cabral

Ontem, no auditório do FIBDA, apresentou-se o novo livro de Ricardo Cabral, Israel Sketchbook que é, falando rapidamente e sem tempo para desenvolvimentos, um livro extraordinário (os desenvolvimentos seguem na edição de Novembro da Ler, onde assino um texto sobre o livro).

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Maria José Pereira, Ricardo Cabral e João Vasco Almeida na apresentação de Israel Sketchbook (Edições Asa).

Perto do auditório, no piso -1 do Fórum Luís de Camões, podem ver-se alguns dos esboços que Ricardo Cabral elaborou durante a sua estada em Israel e que foram, já de regresso a Portugal, o ponto de partida para a estruturação da narrativa que culminou no livro que agora chegou às livrarias.

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(SFC)

Recortes: Zeina Abirached, Mourir, Partir, Revenir. Le Jeu des Hirondelles, Cambourakis

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Nascida no Líbano, em 1981, Zeina Abirached tem desenvolvido o seu trabalho em torno da matéria autobiográfica, reconstruindo memórias de infância numa Beirute dividida pela guerra. No seu terceiro livro, as memórias reportam a 1984 e às dificuldades enfrentadas pelos habitantes da capital libanesa no seu dia a dia. O quotidiano é, aliás, o ponto de vista a partir do qual se estrutura esta narrativa, que abre com uma belíssima sequência de vinhetas onde se mostram as adaptações criadas pelos habitantes do bairro de Zeina de modo a evitarem que as suas casas resultem em danos colaterais.

Quando os pais saem de casa para visitar a avó materna, Zeina, a narradora, e o seu irmão ficam aos cuidados de uma amiga da família, entretidos com jogos como se nada se passasse. Lá fora, o percurso mais seguro entre as duas casas (ilustrado por duas pranchas onde os símbolos cartográficos reduzem a informação ao essencial, recorrendo aos elementos infográficos que marcam presença em todo o livro) torna-se impraticável pela presença de um franco-atirador, e a espera de Zeina e do irmão inicia uma contagem sufocante. Chegam vizinhos e amigos, fugindo dos tiros e teimando em manter uma rotina de normalidade por entre os assobios dos obuses. Bebe-se café e whisky, salvo de um restaurante destruído, joga-se, recitam-se excertos do Cyrano de Bergerac, guarda-se a esperança. E ao longo da espera, a narrativa vai fazendo desfilar as histórias das personagens: Chucri, o taxista perito em esquemas de sobrevivência, Ernest, que perdeu o irmão gémeo na guerra, Linda, antiga Miss Líbano, Khaled, o dono do restaurante destruído. E também Farah e Ramzi, o casal que aguarda um visto para emigrar, esgotada a esperança de viver pacificamente em Beirute.

Focada a partir do olhar da criança que era Zeina, a narrativa de Le Jeu des Hirondelles resgata da guerra o quotidiano possível, equilibrado entre a persistência resignada e a consciência da precariedade, como nota a avó de Zeina, ao telefone: “Penso que apesar de tudo, estamos, talvez, mais ou menos seguros aqui”.

A comparação com Persépolis, de Marjane Satrappi, surgida em algumas criticas, diz mais sobre uma leitura limitada do que sobre qualquer das obras. Partilhando o preto e branco e alguma iconografia, pouco mais une as memórias épicas de Satrapi e a sua narrativa do Irão às memórias quotidianas de Zeina enquanto a história lhe desfila à porta da infância. Mas talvez a boa recepção junto do grande público as possa unir de modo mais lógico.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado no Actual, do Expresso, Out.09)

Amadora BD

A vigésima edição do festival internacional de banda desenhada da Amadora abre as portas já na sexta-feira. Entre os dias 23 de Outubro e 8 de Novembro, o Fórum Luís de Camões, na Brandoa, acolhe exposições de autores como Giorgio Fratini, Maurício de Sousa, Rui Lacas, Ricardo Cabral, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Osvaldo Medina e o colectivo da Planeta Tangerina. Para além das individuais, há ainda uma exposição dedicada à banda desenhada polaca, uma mostra com trabalhos de três autores canadianos e uma exposição dedicada aos XX anos do Festival.

Noutros espaços da cidade estarão as homenagens a Vasco Granja (Galeria Municipal Artur Bual) e Adolfo Simões Muller (Casa Roque Gameiro), bem como uma exposição dedicada a Hector Oesterheld (no CNBDI), entre outras.

Programação completa e informações úteis aqui. O Beco andará por lá e irá dando notícias.

(SM)

Visita do Dia

 


O blog da ilustradora Jessica Allan.

(SM)

Isidro Ferrer na Bedeteca

Inaugurou no passado fim de semana, na Bedeteca de Lisboa, uma exposição de Isidro Ferrer que pode ser vista até ao próximo dia 15 de Dezembro. Compõem a mostra cartazes para os mais variados eventos, de peças de teatro a feiras do livro, passando por semanas culturais ou por momentos de intervenção política.

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(SFC)

Farol de Sonhos

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Programa completo aqui.

Visita do dia

O site do ilustrador Paul Blow.

(SM)

Ao Norte: Vidas de Cinema

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Cinema e banda desenhada são frequentemente confundidos, aplicando-se à segunda termos e modos de leitura que dizem respeito ao primeiro. A confusão deve-se mais ao pouco rigor na utilização de instrumentos de análise da banda desenhada do que a um real paralelismo desta com o cinema, mas a partilha de planos de focalização e, muito mais importante, a relação entre texto e imagem em cada momento de visionamento/leitura tornam pertinente um olhar que relacione ambas as linguagens, sem que com isso se crie qualquer arrumação subsidiária entre elas. A Associação Ao Norte, que se dedica à animação cinematográfica e à manutenção de um cineclube em Viana do Castelo, criou, assim, uma colecção em formato de bolso intitulada ‘O Filme da Minha Vida’ onde cada volume convida um autor de banda desenhada ou um ilustrador a criar uma narrativa ou conjunto de imagens a partir de um filme por si escolhido. À edição de cada livro, sempre acompanhado por um texto introdutório (até agora, todos assinados por João Paulo Cotrim), segue-se uma exposição dos originais e a exibição do filme escolhido, com a presença do autor que o trabalhou em livro. O público destes encontros tem sido maioritariamente composto por alunos de escolas da região, no âmbito de disciplinas relacionadas com as artes, o audiovisual e a língua portuguesa, mas as sessões são abertas ao público em geral, que não tem deixado de comparecer.

Dirigida pelo artista plástico Tiago Manuel, a colecção parte de uma atitude de pesquisa, muito mais do que da simples curiosidade de ‘casar’ cinema e banda desenhada esperando que o resultado tenha interesse transversal. Essa atitude, visível nos textos introdutórios de Cotrim, extravasa a mera contextualização, contaminando os modos de trabalhar de cada artista convidado. Posta de parte a atitude fácil (e nada original) de recontar em vinhetas o que o filme contou no ecrã, os quatro autores já publicados encetaram caminhos diversos nas suas abordagens ao cinema. André Lemos, que inaugurou a colecção com O Percutor Harmónico, partiu de Aconteceu no Oeste, de Sergio Leone, seleccionando uma das cenas mais marcantes do filme (aquela em que Charles Bronson, acabado de sair do comboio, enfrenta três homens da pequena cidade, seguindo-se a interpretação, na harmónica, da conhecida melodia de Morricone) para a fragmentar em imagens de enorme força, que tiram partido da tintagem a negro que caracteriza o trabalho do autor. Daniel Lima, que escolheu O Deserto dos Tártaros, de Valerio Zurlini, para criar Epifanias do Inimigo Invisível, analisa momentos do filme através de uma pesquisa em torno dos efeitos do reflexo e da transparência, transpondo para o papel uma leitura que coloca questões sobre o modo de ver as imagens, em movimento ou plasmadas pela impressão. Jorge Nesbitt assina Sétimo Selo, a partir do filme homónimo de Ingmar Bergman, e plasma o momento do jogo com a Morte num diálogo intenso onde os silêncios ganham o peso das certezas inefáveis. E no mais recente número lançado, Ângulo Morto, João Fazenda desdobra Vertigo, de Hitchcock, em duas linhas narrativas que confluem para a resolução do enredo, trabalhando a oposição entre paisagem interior e exterior de um modo autónomo relativamente ao filme, mas nunca se perdendo do seu ponto de partida.

Os próximos títulos serão assinados por Filipe Abranches, Joana Figueiredo, Cristina Sampaio e Alice Geirinhas, confirmando a colecção da Ao Norte como um dos projectos mais interessantes e abrangentes da banda desenhada portuguesa contemporânea.

Sara Figueiredo Costa
(versão ligeiramente aumentada de um texto publicado na Ler, nº83, Set.09)