Monthly Archives: Setembro 2012

2ªs Conferências de Banda Desenhada

Amanhã, a partir das 10h, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro. As Conferências de Banda Desenhada são uma organização do Laboratório de Estudos de Banda Desenhada/ Rei Rubro. Programa aqui.

Seminário: Biografias Desenhadas

Amanhã, às 14h30, no Centro de Estudos Sociais (Universidade de Coimbra, decorre o seminário Biografias Desenhadas: histórias de vida aos quadradinhos. Participam António Sousa Ribeiro, Cláudia Pinto, Elsa Lechner, João Miguel Lameiras, Marco Mendes e eu própria.

Bem-vindo a Belém!

Workshop de Diários Gráficos com Richard Câmara, a decorrer no fim de semana de 27 e 28 de Outubro, em Belém. As inscrições fecham no dia 25 de Outubro e todas as informações estão disponíveis aqui.

Recortes: O Princípio

Paula Carballeira e Sonjia Danowski
O Princípio
Kalandraka
Tradução de Elisabete Ramos

No campo de concentração de Terezin, à semelhança do que aconteceu em muitos dos campos com que a infâmia nazi assinalou o século XX, um conjunto de desenhos feitos por crianças sobreviveu à matança. O testemunho que esses desenhos prestam confirma uma verdade difícil de assimilar: apesar do horror, a humanidade continua a ser humanidade e isso não só não ameniza o gesto bruto dos verdugos como confirma a dignidade das vítimas. O Princípio não decorre num campo de concentração nem em qualquer cenário com coordenadas suficientes para o situarmos num determinado contexto, mas o âmago da sua narrativa, em cujo arranque se lê “Uma vez houve uma guerra”, permite a convocação de momentos históricos concretos para uma leitura mais transversal. E se aqui nem texto nem imagens são criados por crianças, o universo encenado e o ponto de vista do olhar é o infantil, o que aproxima este discurso, ficcional e construído na relação entre o texto e as ilustrações hiper-realistas, das folhas soltas onde as crianças de Terezin registaram a sua visão da guerra e do holocausto.

A narrativa de O Princípio é simples: depois da guerra, uma família vê-se obrigada a viver no carro, com pouco e com medo. O passar do tempo revela outras famílias em situação semelhante e, por entre os escombros, com histórias que se partilham e com o regresso de gestos tão inatos como o de brincar, a vida recomeça a fazer sentido. A circularidade e a força verbal e pictórica com que as autoras contam esta história não é um tributo aos vendilhões do optimismo e do pensamento positivo, ao contrário do que o seu resumo podia fazer crer. A beleza dos gestos que permitem recomeçar não se regista sem a fragilidade dos medos e sem a constatação da brutalidade que antecede tudo isso, o que faz deste um ‘livro infantil’ atípico, se acreditarmos que os livros têm idade.

Sara Figueiredo Costa
(publicado no suplemento Actual, Expresso, Jul. 2012)