Category Archives: Varia

A angústia da polivalência

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Muito antes de abrir o Cadeirão Voltaire, na época em que os blogs ocupavam um espaço em crescimento, animador e muito in na internet em português, abri este blog de banda desenhada e ilustração a meias com a Sílvia. Na altura, não havia nenhum blog dedicado a esses temas e a ideia era ter um espaço de divulgação e alguma crítica, que servisse para acompanhar os estudos e as leituras que ia fazendo nessa área e alguma vontade de contrariar certas ideias-feitas sobre a banda desenhada. Foi assim que nasceu, em 2003, o Beco das Imagens. Os anos passaram, milhares de blogs surgiram, outras coisas ocuparam o espaço dos blogs. O trabalho que já fazia na imprensa, sobre livros, foi crescendo e ganhando outros contornos, comecei a fazê-lo também sobre livros de banda desenhada e ilustração, acabei por criar o Cadeirão Voltaire, que me ocupa a maior parte do tempo disponível para estas coisas. Com as mudanças, o Beco das Imagens foi ficando parado, acolhendo unicamente os textos que assino sobre bd e ilustração na imprensa e meia dúzia de eventos para divulgar. Por outro lado, o Cadeirão foi recebendo alguns posts em uníssono com o Beco das Imagens, porque sempre me pareceu que era preciso incluir a bd e a ilustração no espaço dos livros. Não faz sentido. E faz ainda menos sentido quando, muitas vezes, não actualizo o Beco das Imagens unicamente pelo trabalho que dá abrir uma segunda página e entrar com uma segunda password – ou seja, se o trabalho que ali fazia estivesse incorporado no Cadeirão Voltaire, como aliás devia estar, porque um blog sobre livros e leituras não tem por que não incluir banda desenhada e ilustração, as coisas seriam diferentes. Está resolvido o assunto: o Beco das Imagens fecha hoje as portas, porque não vale a pena alimentar moribundos cibernéticos, e os textos sobre bd e ilustração, bem como as notícias, a agenda, as notas soltas e os vários etc’s passam a integrar o Cadeirão Voltaire, como talvez devesse ter acontecido há muito tempo. É de livros e leituras que falo nesse espaço e se cá em casa as estantes não se aborrecem com a bd e a ilustração, no blog não será diferente. A partir de hoje, o Beco muda-se para o Cadeirão.

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Oficina do Cego em residência no RE AL

No âmbito do projecto Ghost, a Oficina do Cego foi convidada para uma semana de residência artística nos espaços do atelier RE Al. A residência começa hoje e aqui, no blog da Oficina do Cego, podem conhecer toda a programação, que inclui vários momentos abertos ao público. No final, para além de uma experiência que trará muitas consequências no nosso trabalho e na nossa aprendizagem, teremos também uma publicação impressa na oficina que instalámos no RE AL para estes dias, a Faca Romba, com textos e imagens de vários autores. É ir acompanhando tudo aqui ou passar pela Rua do Poço dos Negros (Lisboa) num dos momentos abertos ao público.

Sobre a Bedeteca de Lisboa

As notícias do apagamento da Bedeteca já circulam, depois de longos meses de uma destruição silenciosa de que só se apercebeu quem por lá passava regularmente. O problema não está na suposta ‘racionalização de recursos’, como diz a notícia do Diário Digital, citando o director municipal de cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Francisco da Motta Veiga; racionalizar recursos está muito bem, sobretudo em tempo de crise, mas aqui trata-se de apagar totalmente a autonomia de uma instituição que mantém uma actividade ímpar há vários anos, anulando quaisquer hipóteses de programação (coisa que já vem de há muito, com o fim do Salão Lisboa ou o encerramento da sala de exposições, com o fim do projecto editorial que ajudou a renovar a banda desenhada portuguesa, abrindo-a ao pensamento crítico e criando uma rede de contactos que originou muitos projectos relevantes, nacional e internacionalmente, e com o progressivo estrangulamento de uma autonomia que, era visível, permitia fazer muito com muito pouco, mercê do entusiasmo das pessoas que trabalharam na Bedeteca e da rede de apoio que foram construindo – e isso é que é racionalizar recursos, senhor director municipal.). O que agora se tornou público já ameaçava há muito tempo, e a crise há-de servir, como sempre, para os burocratas deste país darem cabo do que vai funcionando e deixando obra relevante, mesmo com poucos recursos. Perde-se a Bedeteca e com isso perde-se o acesso regular a exposições de banda desenhada de autor, ou de ilustradores que em poucos outros espaços serão visíveis, bem como a leitura de um fundo bibliográfico em suposto crescimento onde não pontuam apenas os Patinhas e os Astérix (sem desprestígio algum para ambos), a disponibilidade de uma equipa que sabe do que está a falar e com que matéria está a trabalhar, o espaço para o debate e o encontro em torno de autores, trabalhos, projectos e correntes que, lá fora, se desenvolvem dentro e fora de instituições, criando diálogos proveitosos, mas que aqui, pelos vistos, serão relegadas para outros planos. Tudo mercê da racionalização de recursos, esse chavão que não poupa dinheiro a ninguém e que vai destruindo coisas que valem a pena com o argumento de ser preciso acabar com as que não valem.

(SFC)

Boas festas

Aos leitores e amigos, os nossos votos de boas festas.

(a ilustração é de John Leech para o Christmas Carol, de Charles Dickens, numa edição de 1843)

Olhó jornal da Oficina do Cego!

Mais logo, n’A Barraca, a Oficina do Cego lança o primeiro número do seu jornal. E há uma tiragem especial, com intervenção serigráfica sobre trabalho de Cabral Santo. O cartaz é da Cláudia Dias.

Dar a ler

Ontem estive em Ílhavo, inaugurando a comunidade de leitores de banda desenhada. Duas confirmações: o preconceito sobre a bd (que é para miúdos, que é pobrezinha, que é básica e serve para facilitar discursos, que é aventura e sonho) existe; quando conseguimos que deixe de existir, mostrando outros livros e comprovando a diversidade de estilos, géneros, temáticas e abordagens, o interesse surge. Uma conclusão: é preciso tirar a bd do gueto da bedefilia e colocá-la no mesmo patamar de leitura e fruição que qualquer outra linguagem.

(SFC)

O Advento

Para todos os leitores do Beco das Imagens, os nossos votos de um feliz Natal, ou de uma feliz comemoração do solstício (fica ao vosso critério).