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Sobre a Bedeteca de Lisboa

As notícias do apagamento da Bedeteca já circulam, depois de longos meses de uma destruição silenciosa de que só se apercebeu quem por lá passava regularmente. O problema não está na suposta ‘racionalização de recursos’, como diz a notícia do Diário Digital, citando o director municipal de cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Francisco da Motta Veiga; racionalizar recursos está muito bem, sobretudo em tempo de crise, mas aqui trata-se de apagar totalmente a autonomia de uma instituição que mantém uma actividade ímpar há vários anos, anulando quaisquer hipóteses de programação (coisa que já vem de há muito, com o fim do Salão Lisboa ou o encerramento da sala de exposições, com o fim do projecto editorial que ajudou a renovar a banda desenhada portuguesa, abrindo-a ao pensamento crítico e criando uma rede de contactos que originou muitos projectos relevantes, nacional e internacionalmente, e com o progressivo estrangulamento de uma autonomia que, era visível, permitia fazer muito com muito pouco, mercê do entusiasmo das pessoas que trabalharam na Bedeteca e da rede de apoio que foram construindo – e isso é que é racionalizar recursos, senhor director municipal.). O que agora se tornou público já ameaçava há muito tempo, e a crise há-de servir, como sempre, para os burocratas deste país darem cabo do que vai funcionando e deixando obra relevante, mesmo com poucos recursos. Perde-se a Bedeteca e com isso perde-se o acesso regular a exposições de banda desenhada de autor, ou de ilustradores que em poucos outros espaços serão visíveis, bem como a leitura de um fundo bibliográfico em suposto crescimento onde não pontuam apenas os Patinhas e os Astérix (sem desprestígio algum para ambos), a disponibilidade de uma equipa que sabe do que está a falar e com que matéria está a trabalhar, o espaço para o debate e o encontro em torno de autores, trabalhos, projectos e correntes que, lá fora, se desenvolvem dentro e fora de instituições, criando diálogos proveitosos, mas que aqui, pelos vistos, serão relegadas para outros planos. Tudo mercê da racionalização de recursos, esse chavão que não poupa dinheiro a ninguém e que vai destruindo coisas que valem a pena com o argumento de ser preciso acabar com as que não valem.

(SFC)

A Banda Desenhada e o Álbum Ilustrado

Inaugurou no último fim de semana e pode ver-se até ao dia 28 de Julho, no Goethe Institut, em Lisboa. A produção é da Bedeteca de Lisboa e a entrada é livre.

Strapazin: das Comic Magazin, revista suíça, é indubitavelmente uma das melhores revistas de e sobre banda desenhada que se publicam na Europa. Cada número da revista desenvolve-se a partir de um conceito, de um desafio que, no número 87, publicado em Junho de 2007, foi lançado a ATAK, prestigiado autor alemão, e ao produtor cultural Matthias Schneider. Juntos convidaram dez ilustradores de álbuns ilustrados a realizarem a sua primeira banda desenhada, dando a cada um duas palavras-chave como ponto de partida.

Mais do que um mero exercício criativo, esta é uma forma de constatar se existem diferenças entre a ilustração de uma bd e de um texto. ATAK e Schneider procuram assim explorar a singularidade da imagem, questionar a intersecção de linguagens estéticas e a influência da bd no universo dos álbuns ilustrados, reflectir sobre os novos conceitos narrativos e sobre o impacto que a bd tem sobre este universo. A cada ilustrador foi pedido que descrevesse como encara este desafio, qual a sua concepção de álbum ilustrado e quais os criadores que os influenciaram.

A exposição, posterior à edição da revista e segunda vertente deste projecto, apresenta os originais dos participantes, alguns dos nomes mais significativos e prestigiados da ilustração para a infância: Natalie Leté (França), Worf Erlbruch (Alemanha – autor que este ano têm uma exposição retrospectiva na Ilustrarte ), Nadia Budde (Alemanha), Klaus Ensikat (Alemanha), Volker Pfüller (Alemanha), Rotraut Susanne Berner (Alemanha), Sophie Dutertre (França), Goele Dewanckel (Bélgica), Jockum Nordström (Suécia) e Martin Jarrie (França). São igualmente apresentados os textos de cada ilustrador, o que permite ao visitante não só uma leitura contextualizada das imagens mas também desvendar alguns segredos destes criadores.

Atak : fcatak.de
Instituto Goethe : goethe.de/ins/pt/lis/deindex.htm
Strapazin : strapazin.ch

Isidro Ferrer na Bedeteca

Inaugurou no passado fim de semana, na Bedeteca de Lisboa, uma exposição de Isidro Ferrer que pode ser vista até ao próximo dia 15 de Dezembro. Compõem a mostra cartazes para os mais variados eventos, de peças de teatro a feiras do livro, passando por semanas culturais ou por momentos de intervenção política.

isidro

(SFC)

Leituras e poucas escritas

Por aqui, lê-se o mais recente número do The Comics Journal (cortesia da Bedeteca de Lisboa e do serviço de empréstimos das bibliotecas municipais), com destaque para a entrevista com Fábio Moon e Gabriel Bá. E relêem-se alguns livros, entre eles Stuck Rubber Baby, de Howard Cruse, e Our Cancer Year, de Harvey Pekar, Joyce Brabner e Frank Stack, por conta de um texto que está para nascer. Sobra, por isso, pouco tempo.

(SFC)