Monthly Archives: Novembro 2012

Mário de Sá Carneiro ilustrado por Tiago Manuel

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A Antologia Poética de Mário de Sá Carneiro, com ilustrações de Tiago Manuel (edição da Kalandraka), lança-se hoje à noite, pelas 21h30, na Papa-Livros, e amanhã, pelas 16h30, na Gigões e Anantes.

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Recortes: Fun Home

Alison Bechdel
Fun Home – uma tragicomédia familiar
Contraponto
Tradução de Duarte Sousa Tavares

Depois de Persépolis, de Marjane Satrapi, a Contraponto regressa ao filão da chamada banda desenhada autobiográfica com Alison Bechdel e um livro que, em 2006, marcou o ano editorial norte-americano. Etiquetas pré-definidas à parte, Fun Home não é a história da vida de Alison, pelo menos no sentido arrumado e completo com que se imagina poder narrar uma vida, mas antes uma reflexão dolorosa e sem rede sobre o seu pai, morto num atropelamento que nunca deixou de parecer suicídio e responsável por algumas das memórias mais fortes e duradouras da narradora.

Fun Home recria a infância de Alison à luz do papel preponderante e opressivo que o seu pai, Bruce Bechdel, assume na família, também integrada pela mãe e pelos irmãos da narradora. À obsessão de Bruce pela casa, pela decoração e pelo funcionamento meticuloso do negócio da família, a casa funerária (fun home) que dá nome ao livro, contrapõe-se uma série de episódios que parecem equilibrar uma certa amargura, revelando pontos de entendimento e cumplicidade com Alison, sobretudo a partir dos livros que ambos lêem. Quando, já na faculdade, Alison decide assumir a sua homossexualidade perante os pais descobre que o seu pai é, também, homossexual, nunca tendo assumido as várias relações que manteve à margem do casamento. Se uma leitura preguiçosa poderia encontrar aqui a explicação para a cumplicidade entre pai e filha e uma espécie de herança que justificaria todas as más memórias, a narrativa de Fun Home encarrega-se de confirmar que a memória não é geométrica e que o exercício de a enfrentar, usando-a como matéria para a ficção que todas as autobiografias supõem, nunca traz respostas unívocas, mesmo que possa dar por resolvidos alguns rancores. Se dúvidas houvesse sobre o peso que a ficção assume neste processo, a composição de algumas vinhetas, nomeadamente as que reproduzem o diário juvenil de Alison com as suas marcas inequívocas de construção de uma verdade (em prejuízo do registo fiel daquilo a que se chama, sem grande firmeza, realidade), seria suficiente para confirmar a construção da memória que Fun Home pressupõe. Quando procura no passado do pai os indícios de tudo o que correu mal na sua vida adulta, Alison parece querer prevenir os seus próprios erros; no entanto, o exercício é mais complexo, ou teria sido dado como concluído no momento em que a narradora sai do armário. O que Fun Home revela em cada detalhe da narrativa, dos mapas que integram algumas pranchas – cruzando a infância de Alison com as topografias de O Vento nos Salgueiros – às constantes remissões para autores que se encarregaram de mostrar o quão escorregadios são os territórios da memória e da identidade (Proust, inevitavelmente), é um movimento ininterrupto entre passado e presente, um desejo de perscrutar a memória para com ela erguer um porto seguro, mesmo (ou sobretudo) quando prefere as impressões e os efeitos colaterais às certezas clínicas dos vários registos que a vida permite guardar.

Agora, é esperar que a Contraponto dê continuidade ao catálogo em territórios afins: Howard Cruise, Seth ou Fabrice Neaud em português seriam óptimas notícias. De preferência sem alterações no original, como acontece com esta edição de Fun Home, que omite a coloração verde da edição original, eliminando a leitura do contraste cromático e da criação de diferentes camadas narrativas.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Ler, nº117, Out. 2012)

Workshop Lisboa a Metro

Workshop de diário gráfico com Richard Câmara. 1 e 2 de Dezembro, em Lisboa. Informações aqui.

Prémios Nacionais de Banda Desenhada

Os Prémios Nacionais de Banda Desenhada, atribuídos no âmbito do Amadora BD, foram entregues ontem à noite. Aqui fica a lista dos premiados.

BD PORTUGUESA -MELHOR DESENHO
Pontas Soltas – Cidades – Ricardo Cabral – ASA

BD PORTUGUESA – MELHOR ARGUMENTO
O Pequeno Deus Cego– David Soares – Kingpin BooksMELHOR ÁLBUM DE AUTOR ESTRANGEIRO
Blankets – Craig Thompson – DevirMELHOR ÁLBUM DE TIRAS HUMORÍSTICAS
Os Nossos Mutts – Patrick McDonnell – Devir

MELHOR ILUSTRAÇÃO PARA LIVRO INFANTIL
Madalena Matoso – Todos Fazemos Tudo – Planeta Tangerina

CLÁSSICOS DA 9ª ARTE
Sangue Violeta e outros contos – Fernando Relvas – El Pep

MELHOR FANZINE
Fábrica, Baldios, Fé e Pedras atiradas à lama – Tiago Baptista (coord) – Oficina do Cego e associação a9)))) (editores)

PRÉMIO JUVENTUDE
Pontas Soltas – Cidades – Ricardo Cabral – ASA