Monthly Archives: Julho 2011

Leituras do dia: entrevista com Alan Moore

Alan Moore dá uma entrevista ao Guardian a propósito de League of Extraordinary Gentlemen: Century 1969 (Kevin O’Neill, Alan Moore). Para ler aqui.

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Drawn to Lisbon

A partir de amanhã, e até ao dia 23, Lisboa acolhe a segunda edição do Simpósio Internacional de Urban Sketchers. Para além dos workshops e das conversas, cuja programação detalhada podem conhecer aqui, as ruas da capital serão povoadas por pessoas de bloco e caneta em punho, com a promessa de, mais tarde, divulgarem o que forem desenhando.

Recortes: VVAA, Futuro Primitivo, Chili Com Carne

A mais recente edição da Chili Com Carne é o resultado de um trabalho colectivo orientado por Marcos Farrajota, que aqui assume a responsabilidade de distribuir temas e organizar o cadáver esquisito que deles nasce. A unidade narrativa alcançada com esta espécie de remix aplicado às imagens e às sequências que os vários autores criaram é notável, até pelo potencial caótico dos próprios temas, entre a ficção científica distópica e os mundos pós-apocalípticos.

Mais de quarenta autores responderam ao desafio, escolhendo itens de uma lista cuidadosamente preparada para registar as invenções tecnológicas que terão colocado a humanidade a caminho do abismo. Da roda às armas de fogo, da imprensa à energia nuclear, a lista é suficientemente ampla para incluir elementos facilmente identificáveis com o caos ambiental e o desequilíbrio de produção alimentar que vivemos, mas igualmente com as grandes revoluções do progresso, o que só acentua o tom apocalíptico, configurando uma visão fatalista que alia qualquer avanço a uma inevitável degradação e que traça os princípios programáticos desta edição numa espécie de no future onde não haverá prisioneiros. Enquanto a devastação não chega, a clonagem da ovelha Dolly convive com as lições de sobrevivência que os genes humanos transportam e os autores abandonam as suas personagens à sorte de várias incógnitas, investigando o comportamento humano perante a ameaça do fim. Profecias, loucura, gestos de violência ou o desregramento total são alguns dos resultados. Autores consagrados e outros ainda em começo de publicação criaram sequências fortes, imagens perturbadoras e espaços de reflexão poderosos, mas é o trabalho de edição que lhes confere a unidade imprescindível para que este volume seja um marco para a afirmação da banda desenhada de autor no espaço, acanhado, da edição nacional.

Sara Figueiredo Costa
(publicado no suplemento Actual, do Expresso, Jul. 2011)

Leituras do dia: Chester Brown

 

No New York Times, Dwight Garner escreve sobre Paying For It, o mais recente livro de Chester Brown (edição Drawn & Quarterly). Para ler aqui.

A chegar

É De Noite Que Faço as Perguntas, um livro de David Soares, Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre da Silva e Richard Câmara, com edição da Saída de Emergência.

Do press-release:

É de Noite Que Faço as Perguntas é uma história que parte da cronologia e dos factos históricos pertencentes ao período da primeira república portuguesa para se apresentar como uma poderosa observação sobre a vida, a política e o modo como ambas se influenciam.
Mergulhado num regime autocrático, de natureza indefinida, em meados do século XX, um pai tenta recuperar o filho, caído no seio do partido, escrevendo-lhe as memórias que experimentou nos anos da primeira república: tempo em que o ideal de cidadania era a participação activa e não o recolhimento sob o jugo ditatorial.
Escrito por David Soares e desenhado por Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre da Silva e Richard Câmara, É de Noite Que Faço as Perguntas é, em simultâneo, um poético fresco de época, um ensaio filosófico pungente e uma banda desenhada ímpar.

 

Recortes: VVAA, Boring Europa, Chili Com Carne

Os contactos que a Chili Com Carne (CCC) tem criado com autores e colectivos de banda desenhada um pouco por toda a Europa já resultaram em exposições que, de outro modo, não chegariam a Portugal, em colaborações de autores portugueses em publicações estrangeiras (e vice-versa) e em volumes colectivos como Greetings From Cartoonia, onde artistas de diferentes nacionalidades trocavam memorabilia etnográfica e com ela produziam narrativas capazes de retratar uma certa Europa, tão cosmopolita quanto agarrada às suas tradições. Boring Europa surge nesse contexto, mas em vez de recolher colaborações pedidas de propósito para um determinado livro, parte no seu encalço.

Foi assim que seis autores portugueses, entre eles o editor da CCC, Marcos Farrajota, se enfiaram numa carrinha e empreenderam o percurso Lisboa-Valência-Pancevo-Graz-Berlim-Poitiers-Vigo-Porto-Lisboa, umas vezes registando em diários e narrativas feitas no momento as peripécias da viagem, outras recolhendo contribuições de quem com eles se cruzou. A viagem pretendia ser uma espécie de tourné, com objectivos tão diferentes como vender edições portuguesas no estrangeiro, devolver originais a autores que os emprestaram para exposições em Portugal (caso de Igor Hofbauer), contactar com colectivos e projectos editoriais espalhados pela Europa e trazer para Portugal edições dos países visitados (já que a CCC é, também, uma distribuidora). O resultado é um livro que deve tanto à mítica Torre de Babel como às auto-estradas europeias, misturando várias línguas e registos tão diversos como as bd’s rabiscadas de Farrajota, os cadáveres esquisitos de duas ou três jam sessions na Eslovénia ou o olhar de Aleksander Zograf sobre os portugueses e a sua viagem alucinante. Surpreendentemente, o resultado é tão coerente como são caóticos os dias aqui retratados. Mais do que uma colagem de histórias e fragmentos, Boring Europa é um livro de viagens, uma aventura em 8000 quilómetros de estrada e, sobretudo, um contributo relevante para se pensar a Europa e as suas relações internas. Agora que a ajuda entre países (mais ou menos forçada) anda na boca de toda a gente, seis pessoas e uma carrinha dizem mais sobre as vias possíveis para o encontro e sobre a capacidade de nos conhecermos para lá das fronteiras do que todas as directrizes da União Europeia.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Ler, nº102, Maio 2011)

Ilustração e Novos Média

Até ao próximo dia 7 de Julho, estão abertas as inscrições para o workshop Ilustração e Novos Media, a decorrer no CIEAM/Faculdade de Belas Artes de Lisboa, com orientação de Richard Câmara. Mais informações aqui. Para se inscreverem,  usem este e-mail: inscricoes.cieam@fba.ul.pt