Monthly Archives: Junho 2010

Feira Laica

Nos jardins da Bedeteca: concertos, segunda mão, workshops de tipografia e claro editores independentes e artistas gráficos: A Estante, Ana Oliveira, projecto Apupópapa, Associação Chili Com Carne, Atac, Averno, zine B74, Blam Blam + Toys Are Evil, Contraprova, Doc’zine + Shock, Dr. Makete, zine É fartar vilanagem + Dedomau + Antónia Tinturé, grupo Entropia, Fade In – Associação de Acção Cultural, discos F.Leote + Ana Menezes, Os Gajos da Mula + revista Detritos, Imprensa Canalha, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, autor Nevada Hill (EUA), Noori, Oficina do Cego, Opuntia Books, Pedro Gonçalves, Pedranocharco, Quarto de Jade, Raging Planet, Reject’zine, Ruru Comix + Latrina do Chifrudo, Soft Porn Coloring Book, Thisco, colectivo Toupeira + Bedeteca de Beja e zine Znok.

Nuno Saraiva vence Prémio Stuart

Nuno Saraiva venceu a sétima edição do Prémio Stuart de Desenho de Imprensa, do El Corte Inglés, com uma ilustração que foi capa do Ípsilon (Público). Ver notícia completa no Público on-line.

André François, Lágrimas de Crocodilo, Bruaá

A escola de André François é a do cartoon de publicações tão prestigiadas como a Punch ou a New Yorker, e isso percebe-se em Lágrimas de Crocodilo, publicado em 1956, tanto no traço que não se perde em pormenores, como, sobretudo, na subtileza do humor. Perante a necessidade de explicar a uma criança o que são lágrimas de crocodilo, o narrador faz desfilar uma sequência de peripécias que nada têm a ver com a semântica da expressão, e que incluem uma viagem ao Egipto, a adopção de um crocodilo que até leva as crianças à escola e algumas divagações sobre os hábitos da espécie, culminando numa reviravolta narrativa que centra o tema, desvendando a expressão. Em termos de economia narrativa, a sequência que medeia a pergunta da criança e a resposta final do adulto seria dispensável para o esclarecimento, mas é precisamente aí que André François transforma uma eventual abordagem didáctica numa obra-prima da retórica humorística, com algum non-sense a marcar as situações e com texto e imagem funcionando como elementos interdependentes para a construção do sentido.

Para lá do texto e imagem, há o objecto, que neste caso não é apenas uma lombada unindo um conjunto de folhas, mas que inclui um invólucro que é a caixa postal onde se transportariam os crocodilos do Egipto para a casa de cada um, transformando o livro no objecto da narrativa que o constrói.

Na vertigem rotativa dos escaparates, a Bruaá pode não dar nas vistas com os seus dois ou três livros anuais, mas a qualidade das obras e o cuidado que põe na sua edição, confirmados, uma vez mais, com este livro de André François, chegam para considerá-la uma editora de excepção no capítulo dos álbuns ilustrados.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado no supl. Actual, do Expresso, 13 Jun. 2010)

Ler banda desenhada

Rachel Cooke, do Guardian, já descobriu que a banda desenhada não tem de ser coisa de fanáticos dos super-heróis ou da linha franco-belga, mas antes uma forma de expressão que, como qualquer outra, permite os fenómenos de mercado, os trabalhos que só servem para encher papel e algumas obras-primas. Quando os editores portugueses fizerem a mesma descoberta, deixaremos de prescindir de uma série de autores com um trabalho fantástico, e passará a ser tão humilhante, nos círculos bem pensantes, desconhecer Edmond Baudoin como é desconhecer W. G. Sebald. Para ler aqui, enquanto isso não acontece.

(SFC)

Quase a chegar às livrarias

Do mesmo autor de A Árvore Generosa, a Bruaá publica Quem Quer um Rinoceronte Barato?.

Olhó jornal da Oficina do Cego!

Mais logo, n’A Barraca, a Oficina do Cego lança o primeiro número do seu jornal. E há uma tiragem especial, com intervenção serigráfica sobre trabalho de Cabral Santo. O cartaz é da Cláudia Dias.

A I República na Génese da BD e no Olhar do Séc. XXI

A reconstituição do mais antigo filme de animação português, feita por Paulo Cambraia com base nos 159 desenhos originais de 1923, vai ser apresentada na exposição “A Primeira República na Génese da Banda Desenhada e no olhar do Século XXI”, que inaugura dia 2 de Junho, às 19h00, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem.

“O Pesadelo de António Maria”, assim se intitula o filme de Paulo Cambraia, feito com base nos desenhos e nas legendas originais usadas na película realizada em 1923 por Joaquim Guerreiro, que desapareceu. Este filme que é simultaneamente um retrato de época constitui um dos núcleos da exposição sobre a génese da BD na Primeira República. A este núcleo juntam-se outros quatro: “A 1ª República e a Amadora”, “A caricatura modernista e a Primeira República”,
“A Génese da Moderna BD Portuguesa” e, por fim, “A Primeira República na BD Contemporânea”.

Esta exposição é promovida em parceria entre a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e a Câmara Municipal da Amadora e estará patente até dia 5 de Outubro de 2010 no Centro Nacional de BD e Imagem (na Av. do Brasil, 52-A – Amadora). Será também apresentada durante o Amadora BD, o Festival Internacional de BD da Amadora, que decorre de 22 de Outubro a 7 de Novembro. A mostra terá uma versão itinerante que estará disponível para circular pelo país de Setembro de 2010 até Agosto de 2011.

Inaugura hoje, pelas 19h00, no CNBDI.