Arquivos Mensais: Junho 2009

Laica e Mula no Porto

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Depois do fim de semana nos jardins da Bedeteca, onde houve a animação habitual, com várias novas edições a serem apresentadas e muitos livros e fanzines vendidos (contrariando a ideia do ‘mercado oficial’, que persiste nas queixas de que a bd não vende enquanto edita sobretudo coisas ‘invendáveis’), a Laica ruma ao Porto, em parceria com Os Gajos da Mula. A Mula Ruge ocupará o Espaço Campanhã entre os dias 4 e 25 de Julho. Programação completa aqui.

(cartazes de Miguel Carneiro & João Marrucho e Von Calhau)

Leituras

Por aqui, a leitura é esta:

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E da leitura nascerá um texto que, espera-se, terá publicação futura. A ver vamos.

(SFC)

Combo

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Combo João Fazenda reúne trabalhos de ilustração de João Fazenda, com textos de João Paulo Cotrim. Nas livrarias, com edição da Assírio & Alvim.

Feira Laica

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Auto-denomina-se ‘a maior feira de edição independente’, e fá-lo com toda a propriedade. Para além da prata da casa, onde se incluem editores e projectos como Opuntya Books, Imprensa Canalha, Mmmnnnrrrg, Mike Goes West, O Hábito Faz O Monstro, Hülülülü, Os Gajos da Mula ou El Pep, este ano a Laica contará com a presença de uma ‘delegação estrangeira’ composta por Benjamin Bergman, Jarno Latva-Nikkola e Tommi Musturi (que desenhou o cartaz da Feira), do colectivo finlandês Boing Being (com ligações ao jornal Kuti e à antologia Glömp), e ainda Kaja Avbersek e Gasper Rus, do colectivo esloveno Stripcore (revista Stripburger).

Para além da edição, haverá comes e bebes, artesanato, roupas, livros e discos em segunda mão, filmes de animação de vários autores portugueses, uma máquina quase monstruosa que desenha a pedido dos mais novos, jogos e algumas piruetas imprevisíveis.

A Feira Laica acontece este fim de semana, nos jardins da Bedeteca de Lisboa.

Novas da Canalha

A Imprensa Canalha apresenta, na Feira Laica (este fim de semana, na Bedeteca de Lisboa), as suas mais recentes edições. Raças Humanas, de José Feitor, e o esperado, esperadíssimo, Derby, uma espécie de ‘obras de Santa Engrácia’ da edição independente, finalmente concluídas para felicidade e harmonia gerais.

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(SFC)

Amy Brown

Amy Brown é ilustradora free-lancer. Formou-se em ilustração na Kingston University (Londres), em 2007, e é nesta área que trabalha desde então.
O seu trabalho tem sido publicado por diversas editoras, como a JK Books, a Penguin e a Random House.

Aqui ficam algumas das suas ilustrações.

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(SM)

Formação II

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Entre os dias 6 e 10 de Julho, José Feitor orientará uma Oficina de Banda Desenhada para Jovens, que inclui a realização de um livro, com paginação, encadernação e linogravura, para além da elaboração da banda desenhada propriamente dita. A pensar nos editores independentes de amanhã…

A oficina decorre no espaço Arte Ilimitada, que pode ser contactado através do telefone 213956427 ou do e-mail arteilimitada@sapo.pt.

(SFC)

Formação I

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Este é apenas um dos workshops que decorrerão no Centro de Investigação e de Estudos de Arte e Multimédia (Faculdade de Belas Artes de Lisboa) a partir do próximo mês. Assim, para além do workshop de Diários Gráficos, teremos os workshops de Ilustração Digital Aplicada a Espaços Urbanos (igualmente orientado por Richard Câmara e João Catarino), Ilustração Para a Infância, Desenho com Narrativa Sequencial (com tratamento digital) e Criação e Dinamização de um Blg de Ilustração (todos com orientação de Richard Câmara). Os workshops espalham-se por Julho e Agosto, mas as incrições já estão a decorrer. Os interessados devem contactar o CIEAM através do telefone (213 252 166) ou do mail (cieam@fba.ul.pt).

(SFC)

Visita do Dia

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O site de Kill Pixie.

(SM)

Musée de la Bande Dessinée

Angoulême inaugurou, no passado fim de semana, o Museu da Banda Desenhada. Dirigido por Ambroise Lassalle e com uma colecção que inclui mais de 8.000 trabalhos originais, para além das revistas e de outro material impresso, o Museu garante uma atenção particular à banda desenhada do eixo franco-belga, mesmo que outras produções não tenham sido negligenciadas.

(via The Independent)

(SFC)

Leituras: The Comics Journal

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A nova edição do The Comics Journal já saíu. Resta esperar, como sempre, que chegue à Bedeteca (e que ninguém a requisite antes…).

(SFC)

Craig Atkinson

Hoje, amanhã e sábado são os últimos três dias em que pode ver-se a exposição de Craig Atkinson na Dama Aflita (Porto).

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(Fotografia tirada do blog da Dama Aflita)

(SFC)

Irina Troitskaya

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Ilustradora russa, começou a publicar o seu trabalho em 2003.

Alguns dos seus trabalhos pertencem a colecções privadas de vários pontos do mundo (Espanha, Inglaterra, Argentina,etc..).

Irina formou-se em História de Arte, e está actualmente a frequentar o mestrado em Ilustração, na Universidade de Hertfordshire, Hatfield, Inglaterra.

Actualmente, além de trabalhar como ilustradora, dá aulas de comunicação visual na Escola Superior de Arte e Design, em Moscovo.

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Aqui fica o seu site.

(SM)

Reportagem gráfica no jornal i

Com a chegada do jornal i às bancas, e para além da novidade propriamente dita (debate que deixarei de fora deste espaço), passámos a contar com um periódico que tem dedicado várias páginas àquilo a que poderemos chamar ‘reportagem gráfica’. Eduardo Salavisa já assinou mais do que um trabalho (e de entre eles tenho de destacar a reportagem “Diário de Uma Autópsia”, com texto de Rosa Ramos) e a mais recente colaboração do género é da autoria de Olivier Kugler, registando apontamentos e histórias de uma viagem a Cuba. Ultrapassando a habitual presença de ilustração na imprensa, o que o i tem apresentado situa-se num outro espaço do jornalismo, incorporando o discurso gráfico e a construção de imagens no espaço tradicional da reportagem. E isto, não sendo novo na imprensa, não deixa de configurar uma novidade no panorama português mais recente, quer pela sua regularidade (não parece ter sido uma ideia pontual, que surgiu na primeira semana de vida do jornal, mas antes um abordagem à qual se regressará com frequência), quer pela sua qualidade. E agora que o Verão está aí, e que a imprensa costuma encher páginas com sugestões de férias e destinos, o i publicou recentemente um diário de viagem a Cuba, de Olivier Kugler, repartida por três dias. Deste modesto recanto, fica uma sugestão: a edição, lá mais para a frente, destes trabalhos em livro.

(SFC)

Festival Internacional de BD de Beja

A interrupção neste fim de semana prolongado é só para lembrar que, se ainda não o fizeram, têm até amanhã para passar pelo Festival de Beja. Programação aqui.

Recortes: Javier de Isusi, O Cachimbo de Marcos, Ed. Asa

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Primeira obra do basco Javier de Isusi, O Cachimbo de Marcos inaugura a série ‘As Viagens de Juan Sem Terra’, registo das deambulações de Vasco em busca do amigo Juan, desaparecido misteriosamente. Num preto e branco que tira o melhor partido das sombras e da sua capacidade de criar volumes e contrastes, Isusi constrói uma narrativa que convoca o romantismo das revoluções ao mesmo tempo que o questiona, num exercício capaz de inquietar os corações mais utópicos.

Longe da caricatura do aventureiro, o que o leva Vasco ao México é a vontade de encontrar Juan e as notícias que o dão como alistado no Exército Zapatista e estacionado em La Realidad acabam por colocá-lo a caminho. Nem aventureiro, nem pícaro, Vasco envolve-se no enredo de um modo quase blasé, mesmo que a suspeita de Juan ser apenas a miragem que serve de pretexto à viagem se insinue com o avançar da narrativa (prolongando-se no volume seguinte, já publicado em Espanha).

Com a figura tutelar do Subcomandante Marcos garantindo a emoção e o comprometimento necessários à resistência, o acampamento de La Realidad é o terreno onde os gestos, as dúvidas e as inquietações de Vasco ganham a dimensão exacta da sua própria fragilidade. Sem alinhar no deslumbramento romântico dos europeus instalados no campo, mas capaz de atitudes de grandeza incomensurável nascidas do simples impulso, Vasco ecoa com frequência a memória de Corto Maltese, quer nos traços fisionómicos (mais estilizados que os de Pratt, mas ainda assim reconhecíveis), quer sobretudo no modo desinteressado de agir.

O rosto coberto do Subcomandante Marcos garantiu-lhe segurança e transformou-o em ícone revolucionário, mas teve igualmente o efeito de permitir que Marcos fosse qualquer pessoa. Usar o passa-montanhas, fumar cachimbo e afirmar-se Marcos é, para todos os efeitos, ser Marcos, facto que atravessa este livro, ganhando expressão no cenário sombrio que enquadra a suposta aparição do Subcomandante. E enquanto os néscios aceitam a miragem à força de quererem ver Marcos, e os interesseiros se fazem passar por ele, Vasco aceita que o seu interesse é não ser ninguém, a máscara a que qualquer rosto se pode colar. É essa a viagem autêntica e, perante a última revolução romântica da História, a narrativa de Vasco mantém um distanciamento cauteloso, observando com interesse e participando de coração aberto, mas percebendo que só a saudável ironia e uma constante resistência às armadilhas do maniqueísmo garantem a sanidade mental para prosseguir.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado na Ler, nº80, Maio 09)

Ilustrarte 2009

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Estão abertas as inscrições para o concurso da IV Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, que este ano vai mudar-se para o Museu da Electricidade, em Lisboa.

Regulamento

Cada participante deverá enviar até 31 de Outubro de 2009 uma ficha de inscrição e 3 ilustrações originais, inéditas ou publicadas depois de 1 de Janeiro de 2007, para:

ILUSTRARTE 2009

Museu da Electricidade
Av. Brasília, Central Tejo
1 300-598 Lisboa, Portugal

No caso de ilustrações publicadas, envie um exemplardo livro. As dimensões das ilustrações não deverão exceder 40x60cm.

Mais informações aqui.

(SM)

Visita do dia

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O site do ilustrador e autor de banda desenhada galego, Martín Romero.

Recortes: Eduardo Salavisa, Diários de Viagem, Quimera

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Vários foram os artistas que recorreram aos diários como auxílio do seu trabalho, registando esboços, projectos e impressões de viagem. Le Corbusier, Goya ou Delacroix são exemplos conhecidos e este volume inclui-os entre as primeiras páginas, traçando uma espécie de genealogia dos objectos que aborda. Mais do que uma antologia que reúne excertos dos diários gráficos de trinta e cinco autores, permitindo uma aproximação pouco usual ao seu trabalho, o livro de Eduardo Salavisa configura uma reflexão pertinente e bem documentada sobre o próprio objecto, tanto no sentido mais literal (o suporte físico as suas diferentes potencialidades) como no plano artístico, distinguindo funções e metodologias.

A portabilidade de um pequeno caderno permite ao seu possuidor utilizá-lo em circunstâncias diferentes das que rodeiam o trabalho no estúdio, associando-se com frequência às viagens. Essa característica acaba por conferir aos diários uma ausência de compromisso que, afastando-se do trabalho acabado, permite o registo fugaz e a impressão incompleta sem qualquer tipo de pressão. O objectivo destes diários não é a partilha ou a exposição (ainda que este livro o contrarie), mas sim a disponibilidade, uma superfície de trabalho que permite a construção regular e disciplinada de um determinado discurso ou de um mosaico de discursos resultante(s) da viagem ou da flannerie do seu autor.

Os diários aqui expostos dão conta da diversidade de tons permitida pelo gesto experimental, exploratório e não definitivo que configura um diário. Os desenhos de paisagens e cidades convivem com apontamentos escritos e com fragmentos materiais da própria viagem, como bilhetes, rótulos ou cartões de visita. Em alguns casos, o registo aproxima-se do trabalho quotidiano do seu autor, funcionando como caderno de campo (Pedro Salgado ou Lagoa Henriques, por exemplo). Noutros, as páginas são sobretudo o resultado da viagem, estruturando-se à medida que esta se desenvolve (Manuel João Ramos, Eduardo Salavisa ou José Maria Sanchéz). Em todos, o denominador comum do gesto (de desenhar, escrever, colar) como modo de ver e reflectir.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado no Actual, do Expresso, 23 Maio 09)

Leituras: Babelia

Saíu no sábado, mas quem não o conseguiu comprar, pode lê-lo quase integralmente on-line. O Babelia, suplemento literário e cultural do jornal El País, traz a banda desenhada como tema de capa. Confiram aqui.